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Infância

Esperar

Ter paciência num mundo imediatista é o que nos ensina a maternidade. Esperamos por longos nove meses um ser que chega mudando toda a nossa vida. Esperamos a hora que ele quer nascer aceitando cada contração sem saber ao certo hora, dia, minuto. É dor. E que mudança não dói um tanto?

Esperamos o leite descer e, pra conseguir esperar, é lembrar que colostro basta. De repente, ele chega. Muito. Rápido. Sem avisar. Enchendo nossos seios, nutrindo nossos bebês e inundando nossa alma.

São tantas esperas ao lado da cria que mal nos reconhecemos. Aprendemos a correr sem pensar. Mas, agora, a espera é mandatória. Espera bebê ficar de pescocinho durinho. Ficar de bruços. Sentar. Engatinhar. Andar. Nenhum aparato tecnológico é mais poderoso que a natureza. Nem aquele andador com luzes e som.

Deixa livre.
Esquece tecnologia.
Tudo no seu tempo.

As noites longas só passam com o tempo. É esperar.
O seio ferido só cura com o tempo. É esperar.
As feridas sentidas no puerpério só amenizam com o tempo. É esperar.
A dor da despedida da mulher que você foi só cessa com o tempo. É esperar.

É nesse eterno esperar que a gente se volta pra natureza e lembra que também é bicho. E que a natureza age dentro do seu ciclo natural. Cumpre seu papel no seu tempo. A semente que germina. A flor que desabrocha. O rio que corre.

Não apressar.
Aguardar.
Devagar.

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