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Criança aprende o que é significativo

Ele pegou o telefone, discou para a pizzaria onde costumamos pedir pizza e fez o pedido: “uma pizza metade calabêsa e catu quêju”.

Discou sozinho sem que eu nem soubesse que ele havia decorado o número do telefone da pizzaria.

Ele também liga para a avó. Sabe o número.

Sabe o número do andar onde mora.

Conhece nossas senhas compostas por letras e números. Senhas complexas.

Eu poderia parar por aqui e exibir esse meu mini troféu chamado filho, mas filho não é troféu. E eu não tenho mais paciência nem idade pra entrar em competição de qual filho é o mais esperto. Se é que isso de “ser mais esperto” existe.  Apesar de conhecer esses telefones e o andar onde mora, provavelmente ele não sabe contar de 1 a 20, assim, em sequência. Apesar de conhecer senhas formadas por letras complexas, também não sabe o abecedário. Aos 3 anos, não precisa saber mesmo.

Sempre que posto um antigo texto sobre a não necessidade da alfabetização precoce, as pessoas enlouquecem: o que devemos fazer? Rasgar todos os livros da casa? Cobrir com lençóis todos os quadros com algo escrito? Botar fogo nas roupas com dizeres? Obviamente, não. Criança é curiosa e, se ela vive em um ambiente letrado, é mais que normal sua curiosidade por letras e números. A criança pré-escolar já vive em um mundo letrado. Logo, não há como ser contra isso. Eu sou contra um ensino descontextualizado que tem como objetivo apenas a memorização. Por que ensinar a contar de 1 a 100? Por que ensinar o alfabeto inteiro na sequência e, depois, de trás pra frente? Qual é o objetivo de aprender todas as cores do universo se ela não vai usar os nomes dessas cores agora?

Criança aprende e se interessa por conhecimento contextualizado, com alguma função e objetivo. Ensinar números para que sejam memorizados não vale a pena. Aprender números de telefone de pessoas queridas e conhecidas faz todo sentido. Inclusive, faz muito sentido aprender o número da pizzaria! Aprender de a até z por aprender é decoreba sem sentido, como tantas coisas que decorei na vida e, hoje, nem passam pela minha cabeça. Aprender letras que compõem uma senha pra entrar no computador da mamãe e ver um vídeo no Youtube faz muito sentido!

Quando eu digo que sou contra alfabetização precoce, estou me referindo ao fato de que ensinar algo sem função na vida de uma criança (e de qualquer pessoa) é perda de tempo. É memorizar por memorizar. Sem objetivo. Sem função. Sem graça. Eu sou contra um ensino que quer colocar todas as crianças da pré-escola na mesma caixinha: “todas devem aprender as vogais no Jardim I”, por exemplo. Crianças são indivíduos com interesses particulares. Elas sofrerão a vida toda tendo que se enquadrar e caber em alguma caixinha. Vamos deixá-las em paz no jardim de infância. Uma criança pode querer aprender o número da pizzaria enquanto outra não vai querer parar de brincar pra falar em números. E tudo bem. Essa fase da vida é aquela que não deve ser desperdiçada com imposições e padrões. Talvez a infância seja o único momento da vida em que as crianças serão livres. Se quiserem aprender a contar o número de degraus da escada que sobem todo dia, não há problema nenhum nisso. Se quiserem apenas subir as escadas pulando sem nem pensar em números, tudo bem também.

Que a infância seja esse período em que as crianças apenas precisam aprender a ser e nossa contribuição é oferecer nossa mão caso precisem da nossa ajuda.

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