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Infância

Azul e rosa na formação das crianças

“Qual é o seu time?”, pergunta a maioria dos homens que encontra Artur pela primeira vez. Ele, antes, ficava com uma cara confusa, sem saber bem o que responder. Afinal, o papo aqui em casa nunca é sobre time ou futebol. Cada um tem seu time por conveniência, mas achamos um porre assistir aos jogos. É claro que Artur não saberia mesmo que tipo de pergunta era aquela. Depois de um tempo, ele sacou que deveria responder alguma coisa… E, sei lá de onde ele tirou isso, mas agora ele responde ‘Basil’ quando perguntam sobre time.

Uma menino, um adolescente e um homem aqui que não ligam pra futebol enquanto a vovó é louca pelo Flamengo. Não é curioso como as pessoas partem da premissa de que meninos vão gostar de futebol? Eu, quando menina, raramente fui perguntada sobre o meu time. Mas, meus filhos, dois meninos, têm sempre que responder pra que time torcem.

Assim, vamos moldando gostos, preferências, fortalecendo papeis de gênero, atribuindo qualidades passivas para as meninas e qualidades ativas para os meninos. Elas, princesas. Eles, heróis. E ser princesa diz muito sobre ser delicada, bonita, sensível e fraca. Ser herói é sobre ser forte, valente e resolver qualquer problema que aparecer. Assim, nossos meninos e nossas meninas tornam-se exemplos “perfeitos” daquilo que é socialmente construído.

Menina não nasce gostando de rosa e laços, mas um laçarote na cabeça assim que nasce já é o martelo batido sobre como ela deve ser. Menino não nasce gostando de azul e carrinho, mas a saída-maternidade é azul e absolutamente nada do enxoval é rosa.

Por mais que a gente aja de forma desconstruída, o mundo lá fora vai dizer o que é “de menina” e o que é “de menino” e essas crianças vão precisar de muita coragem pra bancar seus gostos pessoais não baseados em ideias cristalizadas. Ou elas simplesmente irão aceitar a imposição pra que sejam aceitas nos grupos.

Hoje eu tive orgulho do meu pequeno, que ouviu a história da Pequena Sereia na escola e gostou:

– Eu gótu de seleia.
– Sereia é coisa de menina.
– Seleia não é de menina, né, mãe?
– Não, filho, não é. Pode continuar gostando do que você quiser.

Não sei até quando nossas crianças vão ter que esconder seus verdadeiros interesses e guardar numa caxinha suas preferências pra agradar essa sociedade engessada e preconceituosa.

Favoritos da Dany
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