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Infância

Entregamos a infância às indústrias

Quando eu escrevo sobre a importância de amamentar e ter um parto normal, não quero que você pense que estou incitando briga ou qualquer confusão. Não há nenhum motivo pra que você se sinta melhor ou pior. Fazemos o melhor que podemos todos os dias. Não existe um ranking de melhor mãe e pior mãe. Infelizmente, fomos ensinadas a competir desde crianças. Não é isso.

Quando escrevo sobre esses assuntos, quero te convidar a refletir. Quero te convidar a pensar junto comigo sobre estarmos entregando nossa saúde e dos nossos filhos na mão da indústria. Entregamos o nascimento à indústria cesarista. Deixamos que a indústria gigantesca de fórmula infantil tome nosso lugar já no berçário. Delegamos a alimentação às grandes corporações de fast-food, saquinhos coloridos e caixinhas atraentes. Convenceram-nos de que a criança precisa frequentar a escolinha desde 1 ano de idade – mais empresários enchendo bolsos. As indústrias de festas amam nosso consumismo sem freios ou sensatez. Enchemos a casa de brinquedos inúteis acumulando coisas e mais coisas sem necessidade.

Nesse jogo, todas as indústrias lucram. Nós saímos perdendo. Perdemos a possibilidade de que o bebê se banhe na flora vaginal da mãe, que reforça o sistema imunológico dos bebês. Perdemos a oportunidade de que bebês sejam beneficiados pelo corte tardio do cordão, o que ajuda a prevenir anemia no primeiro ano de vida da criança. Perdemos a oportunidade de amamentar, que é prático, gratuito e perfeito pro bebê. Trocamos acerolas cheias de Vitamina C por balinhas sintéticas falsas. Não nos permitem que nossos filhos atinjam uma maturidade imunológica para frequentar um local com um salinha fechada cheia de crianças. Resultado: crianças doentes o tempo todo. Trabalhamos no automático e gastamos em mega salões de festa fazendo com que a criança perca a oportunidade de aprender que processo é muito diferente de processado. Em vez de ar livre, amigos, sol e tempo dos familiares, mil brinquedos de plástico acumulando poeira.

Pode doer ler isso? Sim. Também dói em mim. O que eu quero quando escrevo sobre esses assuntos não é achar um culpado ou fazer alguém se sentir culpado. Eu quero que a gente saia do automático e, pelo menos, pense nessas questões. Aliás, é impossível achar um culpado num sistema que nos empurra pra uma máquina de moldar robôs idênticos. Não vamos falar em culpa, mas em responsabilidade. Não se cura uma dor deixando ela de lado. Vira e mexe ela vai aparecer. Tratemos das dores falando sobre elas e sobre como curá-las. O caminho não é fingir que elas não existem. Existem e estão nos prejudicando.

De 10 partos, 8,5 são cesáreas, mas a OMS recomenda 1,5. 54 dias é a média brasileira de aleitamento materno exclusivo enquanto a OMS recomenda 6 meses. Segundo o IBGE, quase 1/3 dos bebês com menos de 2 anos toma refrigerante. Estudos indicam que falta de Vitamina D é uma epidemia global. E de onde obtemos Vitamina D? Do sol. Qual o motivo de tanto brinquedo se crianças passam menos tempo ao ar livre do que presidiários? A obesidade infantil já é tratada como epidemia. Como resolvemos essas questões? Não falando sobre elas? Eu não acho.  Precisamos falar e muito sobre todos esses assuntos. Precisamos aprender a separar nossa experiência pessoal das estatísticas. Esses assuntos estão em pauta pra que a gente mude o cenário. Quanto mais varrermos a poeira pra debaixo do tapete, mais as indústrias lucrarão e nossas crianças adoecerão. Não somos rivais. O inimigo é outro.

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