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Infância

Meu filho não dorme

Eu sei que você está aí se preparando pra mais uma noite de quase pesadelo. Uma noite em que o bebê vai acordar a cada meia hora, a cada uma hora e, com sorte, a cada duas. Eu sei que, quando a noite cai, você tem medo dela. Esse medo é legítimo. Você tá cansada do dia todo. Agora, à noite, você não vai ter tempo pra descansar. Um cochila-acorda enlouquecedor e você se pergunta onde foi amarrar seu bode. É difícil. Difícil, não. Enlouquecedor. Gosto sempre de lembrar que privação do sono já foi usado como método de tortura. Talvez, explicando assim, o outro entenda como isso de acordar a noite toda cansa.
Nós passamos mais de dois anos acordando a cada meia hora. No máximo, no melhor dos cenários, a cada duas horas. Acho que foi a coisa mais difícil da minha vida. Lembro de olhar pro meu marido e, só com o olhar, dizer: eu não aguento mais isso. Revezamos. Nos abraçamos. Brigamos. Nos apoiamos. Chorei. Chorei por muitas noites. Eu precisava descansar, dormir, cuidar do meu sono, sonhar!
Lembro de uma noite em que eu desisti de dormir. Simplesmente, de tanta raiva e esgotamento, eu desisti daquela noite. Botei meu filho no sling e fui pra sala. Botei um show do Pearl Jam e passei horas em pé, vendo o show, chorando e embalando um bebê que, claro, de nada tinha culpa. Ele precisava de mim, do pai. A cama foi compartilhada, não por seguir qualquer método, mas porque não havia outro jeito. Ou dormia comigo ou eu me jogaria do 13º andar por levantar 357 vezes por noite.
Foram muitas fases diferentes. A fase de eu ter que sentar pra amamentar e, logo em seguida, ter que tomar banho por conta do refluxo do menino enquanto meu marido limpava chão, cama, roupas. Na madrugada. Madrugada IN-TEI-RA. Teve outra fase de, a cada mamada, ter que trocar fralda por conta de cocô. Mamada, cocô e refluxo noites adentro. A cada meia hora. Teve fase de eu ter que trocar fralda a cada uma hora por conta de uma assadura que doeu até em mim apesar de não ser no meu corpo. Amamentava, trocava fralda, esperava o bumbum pegar um arzinho até ficar bem sequinho pra botar nova fralda. Teve uma fase em que só servia a mãe. Meu marido não podia tocar nele. Não podia. Ele berrava. Nessa época, eu realmente achei que não fosse sobreviver sem poder contar com o apoio do marido. O máximo que ele podia fazer era me dizer que aquilo iria acabar. E eu precisava acreditar nisso.
Aos poucos, as coisas foram ficando mais fáceis. Parou de fazer cocô na madrugada. O refluxo cessou. A assadura não voltou mais. Passou a aceitar o colo do pai. Desmamou. Passou a dormir por mais tempo. Aos 2 anos e meio, se não engano, dormiu 12 horas seguidas. Um bebê que acordava a cada 30 minutos dormir 12 horas seguidas é… Nem sei! Mágica! Eu não sabia se dormia, se checava a respiração, se comemorava, se dava uma festa.
Passou a dormir mais e mais. Comigo. Com o pai. Com o irmão. Com a vó. Na cama dele. Na casa da avó. Impressionante como tudo passa. E passa mesmo, acredite. Ontem, chegou da escola, dei banho, comidinha e ele deitou vendo TV na minha cama. Quando vi, tinha dormido. SEM MIM. Sem peito. Sem batidinha no bumbum. Sem canção de ninar. Dormiu sozinho. Sem choro. Sem técnica nenhuma. O tempo cura tudo. Das dores mais profundas às noites mal dormidas.
Acredite. Seu bebê vai dormir.

 

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