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Infância

Criança apegada é criança segura

Sempre ouvi que iria estragar meu filho se continuasse dando colo sem limites, mamá sem hora marcada, fazendo cama compartilhada e tomando banho junto com ele. Apesar de tanto ler sobre a importância de acolher, em algum momento, tive mesmo dúvida sobre estar fazendo a coisa certa. Duvidei quando ele não me deixou fazer o almoço. Duvidei quando ele acordava assim que eu saía de perto. Duvidei quando meu colo era seu mundo. 
Eu não via outra maneira de criá-lo. Eu, na verdade, não sabia como. Eu só sabia atender meu filho quando ele chorasse e oferecer meu peito e meu colo quando ele quisesse. Sempre tentei me colocar em seu lugar: e se fosse eu chorando? E se fosse eu com medo de dormir sozinha? E se fosse eu querendo ficar no lugar mais quentinho do mundo, o colo da minha mãe? Segui fazendo o que meu coração mandava, mas não sem duvidar de mim e da minha maneira de encarar a criação do pequeno. 
A vida foi seguindo. O desmame foi mais tranquilo do que eu esperava. O desfralde se deu quando ele se sentiu preparado. Ele passou a dormir em seu quarto, na sua cama, com o irmão. E ontem foi a vez do seu primeiro dia de aula aos três anos e meio. 
Tomou banho, almoçou, vestiu o uniforme feliz da vida e seguiu seu caminho sem me dar as mãos. Eu, que me preparei pra acolher choro no primeiro dia, vi um menininho seguro de si e feliz por experimentar uma nova jornada. Chegou dando oi para os amigos e para a professora. Deu tchauzinho pra mim. Colaborou com a professora guardando os brinquedos. Brincou de massinha e foi ao parquinho. Assim, seguro, forte, certo de que eu estaria o esperando na saída. 
Toda a segurança que lhe ofereci nos três primeiros anos de vida o tornou uma criança confiante. Ele aprendeu a confiar em mim, no pai, no irmão, na avó. Ele sabia que, como eu avisei, eu estaria lá fora o esperando na saída. Ele não tinha por que duvidar disso já que nunca se sentiu desamparado. O colo, o abraço, o peito, a minha cama quentinha serviram pra dar a ele a chance de ter a certeza absoluta que eu estou aqui. Essa confiança construída a duras penas, confesso, está sendo importante pro seu crescimento e amadurecimento. 
Além da confiança, ele aprendeu a valorizar as pessoas. Ele colabora com a professora, cuida dos amigos, não bate, é parceiro. Quando o pai perguntou à noite como era a escola, ele prontamente respondeu: “ela é toda feita de amigo”. É isso, filho. As pessoas em primeiro lugar. 
Que sua vida seja também toda feita de amigos.  ❤ 

Comentários

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4 comments
  1. Janaina

    Que coisa linda esse texto. Essa é a mãe que eu busco ser, parceira, protetora na medida certa, em quem o filho pode confiar. Crianças confiantes só rendem coisas boas, para todos.
    Aliás, gostei muito do seu blog todo, que conheci há pouco tempo. Você está de parabéns. Um abraço!

  2. Unknown

    Fiquei muito emocionada com seu depoimento, estou vivendo o auge dessa dúvida (estou fazendo certo, ou estou mimando e destruindo tudo) . Obrigada mesmo, de coração… Também não vejo outra forma de fazer!

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