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Maternidade

10 verdades que ninguém te conta sobre a maternidade

Hoje eu publiquei a notícia de um estudo feito pela Kiddicare que revela o fato de que 90% das novas mães mentem sobre a própria maternagem. A maioria diz mentir por medo de demonstrar fracasso. As leitoras da página afirmaram que a mentira ocorre por conta de julgamentos e dedos apontados indicando o que você está fazendo errado. A ajuda, no entanto, não aparece tão frequentemente quanto os julgamentos. Resolvi, então, revelar situações que foram verdadeiras para mim. Cada mulher vivencia a maternidade de uma forma. Não há como padronizar e elencar todas as verdades porque cada família vivencia da sua forma. Assim, pretendo revelar da forma mais sincera possível o que a maioria de nós esconde por trás do “tá tudo bem com o bebê” assim que ele nasce. 
1) Pra começar, você toma um CHOQUE com o seu novo corpo após o parto. O óleo utilizado não funcionou bem. O bebê saiu, mas a barriga parece enorme ainda! Você até se pergunta se não há nada de errado. Afinal, ninguém contou que uma barriga estilo 5 meses de gravidez continua lá quando o bebê sai e que isso é absolutamente normal. Você não se reconhece. Acostumar-se com esse novo corpo vai ser algo muito difícil. 
2) O amor materno pode não nascer junto com o bebê. Ele não acontece sempre de imediato. Ao contrário da propaganda sobre maternidade, o amor é construído no dia-a-dia, nos abraços, no toque, no cheiro, no contato pele a pele. De início, tudo fica bem confuso. Você não sabe se olha pra si, se olha pro bebê, se olha pro que tá acontecendo ao redor. É como um dia confuso e com neblina. Não dá pra ver bem o que realmente está acontecendo.

3) A amamentação é natural, mas não automática. A pega do bebê pode ser difícil. Você pode não saber qual é a melhor posição pra você. O leite não desce de imediato, mas ninguém te fala que o colostro é forte e suficiente. Você começa a achar que está fazendo tudo errado. Não consegue conter as lágrimas. Você se preparou pra aquele momento mágico, mas ele não acontece. Você se esforça, o bebê chora (porque é também um aprendizado pra ele!). Esqueceram de te avisar para correr para o banco de leite da cidade ou contactar uma consultora em amamentação no caso de algum problema que surja. Você descobre, no meio do caminho, que a amamentação é suor, esforço e doação.

4) O bebê vai chorar. Simplesmente, vai. Ele vai chorar porque saiu de um lugar escurinho e está tendo que lidar com toda essa luz aqui fora. Ele vai chorar porque saiu de um lugar quentinho e está tendo que lidar com as variações de temperatura. Ele vai chorar porque todo o barulho, pra ele, é novo. Ele vai chorar porque ele está tentando se adaptar à nova vida, assim como você. Aliás, ele e você vão chorar. Muito.

5) As noites em claro são praticamente impossíveis de lidar. Você leu que o bebê vai acordar de três em três horas para mamar. Pode ser que aconteça, mas pode ser que ele acorde a cada duas horas, a cada uma hora, a cada meia hora. Pode ser que ele acorde se você sair de perto, se você se mexer, se você respirar mais fundo. Caso ele acorde a cada duas horas, acontece mais ou menos o seguinte: ele acorda, você amamenta, ele volta a dormir. MAS… você ainda vai ficar acordada esperando o bebê arrotar e, quando ele arrotar, pode ser que ele faça cocô. Você troca a fralda e deita novamente. Pronto. Já que ele estava dormindo enquanto você o colocava em pé para arrotar e trocava a fralda, já está quase na hora de ele acordar de novo. Você quase não vai dormir. E privação do sono não é brincadeira. Ninguém te prepara pra não dormir. Talvez seja a parte mais difícil.

6) O parto pode não ser o dos seus sonhos. Se for cesárea, ninguém te conta da sensação horrível de não sentir as pernas, da tremedeira pós cirurgia (eu achei que fosse morrer!), do espirro que parece que vai arrancar cada ponto dado. Se for parto normal, ninguém te conta da possível laceração mesmo parindo em posição vertical, do pavor de tomar banho pela primeira vez e sentir o períneo tão inchado que você mal o reconhece, do desespero que é lidar com um períneo irreconhecível. Pode ser que você tenha se programado para parir naturalmente, mas, na hora, você pede cesárea, anestesia ou qualquer outra solução que te livre daquela dor. Nada é mágico como nas fotografias profissionais.

7) Pode ser que você não se sinta feliz. Nesse momento, uma culpa avassaladora bate à porta. Você tem um bebê novinho em folha em casa, lindo, precioso, mas você não se sente feliz. O cansaço, o sono, o peito vazando, a dor nos seios feridos, o sangue que desce, o absorvente enorme, a barriga pós-parto. Tudo está diferente e você não sabe como vai funcionar daquela maneira.

8) Você provavelmente não vai conseguir fazer nada. Às 15h, você ainda vai estar de camisola, sem banho, sentada no sofá amamentando e apertada para fazer xixi sem conseguir. A vida corre lá fora. As pessoas vivem suas vidas e você parece que está ali, parada, literalmente a serviço de um serzinho minúsculo que depende de você. Você não vê mais seus filmes, suas séries, sua novela. Aliás, você nem lembra que dia da semana é. Completamente perdida, imersa num mundo paralelo, pisando em ovos, em nuvens, vagando no desconhecido. Parece que nunca mais você vai ver a luz.

9) Os amigos vão sumir. Os amigos com filhos estão ocupados demais e os amigos sem filhos não entendem sua nova rotina. Você sente falta de toda aquela gente que te paparicou durante a gravidez, que foi ao chá de fraldas, que fez festa quando soube o sexo do bebê, que alisou sua barriga e deu presentinhos. As pessoas somem. Não ligam, não dão sinal de fumaça, não oferecem ajuda. Você se sente sozinha, desamparada, com um bebê nos braços sem saber onde é a saída.

10) Você enfrentará problemas para retornar ao seu trabalho se assim desejar. Na entrevista, vão perguntar com quem vai ficar o bebê e muito provavelmente vão te rejeitar por ter um bebê novinho. Se você tiver emprego, ao final da licença, pode ser que você seja mandada embora. Funcionária amamentando, tendo que sair na hora certinha, que não pode fazer hora extra porque precisa pegar o bebê na creche é vista como inútil. Ninguém quer contratar ou continuar empregando.

Essas são apenas algumas das verdades que eu conheço, da minha realidade, da minha vivência. Não existe só a parte difícil, mas a parte fácil já está nas capas das revistas e já conhecemos. O que ninguém nos conta é da dor, do sofrimento e da solidão. Relatar a parte difícil ainda é visto como tabu já que estamos acostumados a um mundo plastificado onde tudo tem que ser alegre, colorido e brilhante. A maternidade, principalmente, é divinizada e romantizada. É proibido falar sobre tristeza. Mas, falemos. Porque assim como é importante ser feliz, sentir-se triste também faz parte e não há nada de errado nisso. Todo processo envolve dores e amores. Ninguém sai ileso. Há muita luz na maternidade, mas, se há luz, há sombras. É bom estar preparada.

Eu e eles por Mari Hart.

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