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Relato de desmame

Faz um mês que eu decidi que nós precisávamos passar de fase. Eu já havia tentado o desmame noturno algumas vezes sem sucesso depois que ele completou 1 ano e meio. Artur chorava muito durante as tentativas de desmame, eu morria de dó, não tinha coragem de não oferecer o peito e achava que ainda não era hora. Ele chorava por 30 segundos e eu não aguentava. Desistia. Eu não achava que deveria ser daquele jeito. Deixei passar, mas eu realmente precisava daquele desmame noturno. Eu precisava descansar um pouco à noite. Dois anos acordando a cada 30 minutos ou a cada 2 horas, no máximo. Foi maravilhoso proporcionar o alimento principal do meu filho durante 1 ano inteiro. Depois, por mais 1 ano e 3 meses. 2 anos e 3 meses amamentando me ensinou tanto sobre doar-se, sobre esperar, ter paciência, acolher. Eu queria que tivesse sido natural, mas não foi. Não foi um desmame romântico. Foi doído pra ele e pra mim, mas foi mais fácil do que eu imaginei. 
Foto: Maíra Suarez
No dia 28 de dezembro de 2015, mês passado, levei Artur ao pediatra. Ele havia perdido peso. Menos de 200g, nada tão significativo. Ele prontamente recomendou o desmame e receitou um fortificante, que eu não dei. Fiquei encucada, pedi uma saaanta ajuda num grupo porreta e as meninas me mostraram que eu estava me preocupando à toa. E estava mesmo. Não fazia nenhum sentido oferecer menos um alimento na rotina dele pra ele engordar. Artur já estava comendo bem melhor – incrivelmente melhor, na verdade. Só que naquele dia acendeu uma luzinha: eu não queria mais alimentá-lo na madrugada. Por mim, eu continuaria amamentando durante o dia, mas à noite, não. Acontece que o desmame noturno não funcionava pra nós dois. Ele ficava confuso e eu, também. Naquela noite do dia 28 conversei com ele: “Artur, o mamá precisa dormir. Mamãe tá muito cansada. Amanhã de manhã você mama, tudo bem?”. Ele deitou comigo, eu o abracei e ficamos ali coladinhos até ele dormir. Ele iniciou um chorinho bem dolorido e eu quase cedi. A minha sorte foi que ele parou logo e, pra minha surpresa, pegou no sono bem rapidinho. Fiquei impressionada. Nunca imaginei meu menino dormindo sem mamar. Acordou na madrugada, expliquei de novo e ele aceitou. Dormiu novamente sem chorar. Pra compensar, eu abraçava meu pequetito mais que o normal. Queria poder colocá-lo de volta na barriga. Não queria estar passando por aquilo, mas era necessário. Um dia teríamos que viver esse momento.
Foto: Mari Hart
Três dias se passaram e, na terceira noite, eu percebi que seria um desmame completo. Caiu a ficha de que ele não mamava mais tanto durante o dia e que ele não estava mais pedindo pra mamar. Desabei. Chorei como se estivesse perdendo uma pessoa querida porque só naquela noite eu me dei conta de que nossa história de amamentação estava acabando. Foram seis meses de amamentação exclusiva, de seios doloridos, de noites acordada, de bebê coladinho, de mãozinhas delicadas me fazendo carinho enquanto mamava. Como eu iria lidar com a falta daqueles olhinhos me olhando enquanto mamava? Foi tão incrível amamentar uma criança que já falava e andava! Ele chamava o mamá de lindo, corria pela casa e vinha pra mim: “mamá!”, rindo como se estivesse prestes a se deliciar com o melhor sabor do mundo! E pra ele era, né? Eu perguntava: “você gosta de mamar?” e ele balançava a cabecinha dizendo que sim enquanto me lançava o olhar mais carinhoso do mundo. A certeza de que ele estava bem alimentado depois de uma festinha, depois de um dia cansativo, depois de um dia sem comer, depois de um dia dodói… Nossa, como a amamentação acalmou meu coração e fez bem pro meu pequeno!
Foto: Mari Hart
Os dias se seguiram e foi tudo ficando mais fácil. Em algum momento ele parou de pedir de vez e dizia: “Atú mama não. Atú gandi.”. E eu elogiava, falava que ele era muito corajoso, mas meu coração ficava em pedacinhos. Como a natureza é perfeita, meus seios nunca mais encheram de leite, não ficaram doloridos por ele ter deixado de mamar, nada disso. Era como se tudo estivesse se ajeitando pra aquele momento. E meu corpo me responder dessa forma me ajudou a superar um momento muito difícil pra mim. Eu não pretendo mais ter filhos. Então, talvez essa tenha sido a minha última experiência com a amamentação. Isso mexeu muito comigo, me fez ver que eu também estou seguindo em frente, que eu talvez retome projetos deixados de lado, que talvez seja um momento de grandes mudanças pra nós dois. 
Foto: aquivo pessoal
Nossa história foi linda. Até hoje ele põe a mão no mamá e dorme colado comigo. Esse desmame foi importante pra mim, pra eu aprender que a mãe também tem seus limites e que é possível um desmame conduzido acontecer com respeito e amor. Educar é também ter firmeza e serenidade. Nosso vínculo continua intenso. O desmame foi um ciclo, como o parto, com início e fim. É uma fase, como foi a hora de nascer, como será a hora de ir pra escola, como será o momento de sair de casa. São mudanças, experiências acumuladas que nos fazem pessoas melhores. Não tenho dicas, não tenho sugestões. Só tenho a dizer que cada experiência é única e que não há regras quando o assunto é filho. A lembrança que fica é desse par de olhinhos me olhando como se estivessem me agradecendo. Eu que sou grata por tudo, filho. Te amo.
7 comments
  1. Micha Descontrolada

    Que lindo, Dany.
    E muito legal o jeito que ele entendeu que tá grande, ohn… lindo demais.
    E vendo o Renato na 1a. foto fiquei olhando como o Caio tá parecido com ele.

    Beijossssssss
    ┌──»ʍi૮ђα ツ

  2. janebcrib

    Muito emocionante Dany.Ler relatos como o seu só me encoraja a seguir em frente com a amamentação. Tenho uma bebê de 1 ano,e essa semana ouvi da pediatra q ela não precisa mais do meu leite,se não ela fica muito dependente de mim e eu dela.Fiquei revoltada.Parabéns pelo blog,vc é inspiração para mim…bjs

  3. Ivana Millán

    Ah, e parabéns por pensar sempre em fazer as coisas com respeito e carinho! Te admiro tanto! Pena que a gente nunca consiga marcar um encontro quando estou aí.. hehe…

  4. Ivana Millán

    Poxa, apertoou aqui dentro muitão… 🙁
    Tenho muito medo desse momento, sabe? Eu sou muito confusa com isso, também quero desmamar por cansaço, mas não quero que ela pare de mamar quando está triste, doente, nervosa… 🙁 me sinto muito confusa, Dany… Mas já comecei a conversar, explicar que ela é grande, etc… vamos ver 🙁

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