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Maternidade

Eu não sou menos mãe!

Só essa semana eu tive que responder umas sete vezes a pessoas que declararam que não são menos mães porque [fizeram cesárea, não amamentaram, têm babá, etc.]. O debate é cansativo porque as pessoas estão certas de que as outras estão julgando-as mães ruins por conta de eventos isolados. É lógico que via de nascimento, isoladamente, não vai definir a maternagem de ninguém. Eu tive minha cesárea (não eletiva, mas desnecessária) e tenho sido uma mãe bem razoável: crio com amor, tento respeitar sempre, ofereço uma alimentação digna e procuro estar presente. Eu não preciso viver me justificando por conta da minha cesárea porque ela não me incomoda mais. Porque, pra mim, é página virada. Porque eu tenho plena certeza de que a minha maternagem vai muito além daquele corte de sete camadas de pele. 
No entanto, convenhamos: há, sim, mães ruins, assim como existem pais ruins, avós ruins, primos ruins, tios ruins. Dar à luz a uma criança não te dá a medalha de mãe do ano unicamente porque uma criança nasceu de você. Mães podem ser terríveis. Sabe por quê? Porque mães são humanas e humanos podem ser malvados, péssimos, intolerantes, mente fechada, falhos. O que vai definir se uma mãe é ou não ruim? Sei lá! Não existe mãezímetro e eu não sou fiscal da maternagem alheia. O que existe é consciência tranquila (ou não). Sua consciência fica tranquila deixando um bebê de 5 meses na frente da TV por um tempão vendo Galinha Pintadinha? Sua consciência fica tranquila oferecendo Mc Donald’s pra uma criança de 2 anos? Sua consciência fica tranquila deixando a criança comer bala todos os dias? Sua consciência fica tranquila marcando sua cesárea na primeira consulta pré-natal? Sua consciência fica tranquila mandando Trakinas de merenda? O que vai definir a qualidade da sua maternagem é o que diz a sua consciência. Não sou eu, não é o Baby Center, não é a Criação com Apego. É você. É a sua consciência. 
Tenho certeza de que vão dizer que estou tentando incutir culpa nas mães. Olha, esse blablabla de “culpa zero” é o preferido da indústria. “Você, mãe, anda tão cansada… Dá uma papinha pronta! Não se sinta culpada”, “A criança tá te aporrinhando? Baixa esse aplicativo de Ipad e deixa o menino quietinho. Não se sinta culpada.”, “A criança não come? Você anda preocupada com isso? Dá essa mistura com 378 ingredientes e não se sinta culpada”. “Tá com medo de sentir a dor do parto? Vamos marcar um diazinho bom pra todo mundo e não se sinta culpada”. A lista é imensa. O problema é que a “culpa zero” só prioriza o adulto. Pode reparar que nunca é em benefício da criança. A infância é tratada como problema e, pra resolver o problema, dá-lhe papinha pronta, leite artificial, cesáreas e ritalina. Some a culpa à falta de informação e temos aí um quadro bem grave: um país campeão em cesáreas, crianças com colesterol alto e diabetes se tornando comum nos jardins de infância. Então, vamos parar com essa bobagem. Ao invés de falarmos sobre culpa, vamos falar em reflexão. Vamos nos permitir abrir as portas pro novo, pro que é bom pra criança, pro que deixa seu coração tranquilo.
Toda vez que alguém me disser que não me interessa o tipo de maternagem que ela exerce e que cada um faz o que quiser com o próprio filho, eu vou me entristecer. Sabe por quê? Porque cada um faz o que quiser com o próprio filho tornou-se sinônimo de exercer a maternagem de forma irresponsável (seja por desinformação, preguiça ou vontade de não querer ter o trabalho de fazer melhor). E, sim, eu tenho tudo a ver com isso porque essas crianças são as crianças com quem meus filhos convivem. São as crianças que vão comer fandangos no recreio e vão tornar a luta por uma merenda saudável mais difícil, só pra citar um exemplo. Que a gente possa criar filhos, não só da maneira que a gente quer, mas da maneira mais responsável possível visando o bem estar coletivo e não só o nosso próprio umbigo e, principalmente, de uma forma que beneficie a infância e não só supra as vontades infantis de adultos que ainda não cresceram.

Comentários

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5 comments
  1. Gica Sampaio

    Oii!!
    Muito bom seu texto! Também concordo com isso! Temos que pensar no que é melhor para nossos filhos, e não o que é conveniente para nós!
    Beijos!!
    Gica
    mamaedocura.blogspot.com

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