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Uma mãe que se reinventou

Lá estava ela na cozinha num dia quente, fazendo frango com batata e esperando a cria acabar o banho pra comer a comidinha caseira. Olhou pela janela e viu carros, ônibus e gente enlouquecida na rua. O sol maltratava. Com os olhos marejados, lembrou da sua bagagem, que por um momento havia sido esquecida: quase 13 anos de experiência profissional com passagem por cursos, escola e um diploma de uma universidade federal. Segurou o choro, sorriu levemente e se deixou levar por aquele cheirinho de comidinha da mamãe que saía das panelas. Lembrou da sua infância, quando sua própria mãe tinha tempo, fazia o jantar, cuidava da casa e dela. Sua mãe tinha tempo de sobra pra cuidar da única filha, o que era muito bom. Mas, ela?! Ela cresceu numa sociedade onde a mulher é criada pra trabalhar fora, pra estudar e ser bem sucedida. Ser bem sucedida… Pensou, pensou e, aos poucos, os pensamentos, ainda anuviados, foram tomando forma. Ser bem sucedida é não ter tempo? É correr sempre atrás de alguma coisa que não se sabe bem o que é? É chorar no meio do dia com saudade do filho? É perder a infância da cria passando só uma horinha por dia com ele? É não poder levá-lo à escola, ao pediatra ou à festa do amigo no meio do dia? Desde quando resolveu se reinventar como mãe, sentia-se angustiada. Não por ela. Pelos outros. Era o medo de ser julgada. Afinal, que mulher é essa que tem tempo para o filho? Mas, na verdade, ela sentia-se feliz naquele momento. Sentia que estava fazendo a coisa certa. A coisa certa era ser mãe presente, mãe feliz, mãe com tempo, mãe que cria o próprio filho. Aos poucos, a angústia foi passando, o peso saiu dos ombros e ela sentia-se bem. O filho, fresquinho do banho, sentou-se pra comer. Ela parou na porta, admirando cada gesto do menino e agradeceu por ter a oportunidade de ver seu filho crescer de perto.Quer saber? Respeitem meu risoto, ou melhor, meu frango com batata. 😉

Comentários

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14 comments
  1. Julay Ferrer

    Como vc bem sabe tenho apenas 4 meses nesse posto de mãe. E estou há 4 meses pensando o que posso fazer para não entrar nessa loucura e conseguir passar mais tempo com a minha filha.

    Fiz as contas de quanto tempo ela teria que passar na creche para a mamãe ir trabalhar. E contando o tempo de trabalho mais trânsito, seria algo em torno de 12 horas fora de casa, longe da filhota.

    Desde então, estou batendo cabeça para tentar melhor isso e buscando um novo caminho pra mim como mãe. Espero achá-lo o quanto antes.

    Beijocas

  2. Luana

    A angustia é normal Dani.
    Eu nem tenho filhos e penso sempre nessas questões, pq queria muito ganhar mais, mas pra isso teria que trabalhar mais e mais longe. Ao mesmo tempo, seria tão bom ter filhos e trabalhar só 6 horas por dia. Bem… não sei ainda…

  3. Bia Mello

    Ah, querida. Conheço bem essa angustia e posso dizer que "reinventar-se" tambem dói um bocado. E voce esta certa, não por nós, mas pelos outros. No dia que percebi isso parei de me explicar. E enxerguei de forma mais clara o quao precioso é este tempo, que nao volta. A gente pode trabalhar a vida toda, ter todo "sucesso e reconhecimento profissional" que sonhar. Mas nada disso sera eternizado quanto os cheiros que se misturam e se fundem perfeitamente: O do banho fresquinho do filho com o de frango com batatas da mae. Bjs

  4. Viviane Pereira

    Ai, Dany, me vejo tanto em suas palavras…Eu não tenho diploma de universidade ainda, mas tinha uma carreira, gostava de trabalhar e acabei optando por ser mãe em tempo integral qdo me mudei pra cidade grande… Não me arrependo em nenhum momento de ter largado a loucura da consultoria de vendas, bater metas, encantar clientes.
    Agora encanto minha família, vivo a loucura do lar e da maternidade e minha meta é criar muito bem meus filhotes!
    Estes dias tive uma crise assim e conversando com o marido, ele me tranquilizou: o que deixamos para o mundo, não são casas ou carros, são os nossos filhos, que serão cidadãos de bem e estão sendo muito bem criados por nós!

    Cada vez que olho para meus filhos saudáveis, felizes e planejando mil coisas, esqueço tudo isso!

  5. Morena

    Obvio que eu acabo de ler o post com um sorriso na cara!!! Que bom que é ver um filho crescer, ter tempo pra ele!!! Por isso desde de sempre eu já disse que qdo eu tiver meus filhos se eu n for ainda professora, que pelo menos tem os fds livres, eu darei plantões a noite, enquanto meus filhos dormem!!! Quem liga que sempre estarei morta? O importante é fazer o que se sente bem fazendo!

    Beijos saltitantes

  6. Micha Descontrolada

    q bom q pode fazer essa escolha. infelizmente, nem todas podem e/ou querem fazer, mas cada um sabe o q pode/deve fazer. O mais importante é dar mto amor e educação. o tempo com o os filhos deve ser bem proveitoso para todos.

    Beijosssssssssssssssss
    ┌──»ʍi૮ђα ツ

  7. Tatiane Garcia

    Dany,
    Feliz de quem pode fazer disso uma "escolha" não é?
    Você, eu, que posso me dar ao luxo de ter minhas crises de identidade e cuidar do baby ao mesmo tempo. Sabe, conheço tantos casos de necessidade de sair pra luta e deixar um bebê novinho pra trás…dura vida da falta de escolhas! E você querida, fez a escolha certa sim! optou pelo equilíbrio! Sabia decisão! Caio agradece, com certeza!!!!
    bjobjo!!!!

  8. Neanderthal

    Sabe, eu não vejo mal algum em mulheres que abrem mão do emprego, de sua independencia financeira, para cuidar dos filhos na infância ou da família de forma geral. Tenho maridos que sustentaram suas esposas até que elas concluíssem os estudos ou passassem no concurso desejado. Eu acho que casamento é uma parceria. Mas isso é um privilégio de poucas, já que vivemos em um país onde a renda da mulher é importante da maioria absoluta das famílias.
    Pra mim, o grande problema é que ainda existem homens que não encaram o trabalho feminino como uma contribuição ou sustentam a mulher para submetê-la, reduzí-la ou mesmo jogar na cara. Aí, complica!
    Eu ia escrever outra coisa, mas após ver o comentário da karine, pensei que nem tanto lá, nem tanto cá. A vida é complexa, as relações também.
    Eu acho que sou carente de pai e lamento muito a ausência do meu ao longo da minha infância e adolescência. De tal forma, que nem eu nem minha irmã o chamamos de pai, mas pelo nome. Sempre invejei minhas coleguinhas da escola que o pai ia buscá-las na hora da saída. =(
    Cada um lida com isso de uma forma né!

  9. Karine

    Discordo de quem disse: "No mundo de hoje as pessoas pensam muito só em si mesmas e muitas mães acabam se dedicando mais ao seu emprego do que aos seus filhos, e o resultado disso está aí nas ruas, na falta de amor e de respeito ao risoto ou frango com batata alheio!". Acho que cada qual sabe de si, sabe onde aperta o sapato, sabe até onde pode ir ou quanto tempo tem que estar na rua para ganhar seu dinheiro. Conheço pessoas que OU trabalhavam OU a família morria de fome, como foi o caso do meu pai que NAO VIU A GENTE CRESCER. Minha mae foi a nossa mae e nosso pai. E nao condeno meu pai por causa disso. Claro que a distância entre a gente existe, lógico. Mas, hoje entendo o seu lado e suas razoes.

    E hoje em dia nao sou mae porque nao quero. O mundo de hoje me dá medo.

    E, ó: aprecio você, a sua escolha. Tenho uma querida amiga que, também professora, deixou tudo pra trás, emprego, pós graduaçao, diploma, dinheiro, para lamber a linda filha dela. E aprecio quem tem essa coragem de abandonar tudo por amor.

    Beijos, mamis.

  10. Kátia Ruivo

    Entendo perfeitamente seu momento, seus dramas e questionamentos, iguaizinhos aos que eu estou vivendo, completamente feliz e mais realizada do que nunca, amiga.

  11. Juliana Corrêa

    Dany, Parabéns pela escolha. No mundo de hoje as pessoas pensam muito só em si mesmas e muitas mães acabam se dedicando mais ao seu emprego do que aos seus filhos, e o resultado disso está aí nas ruas, na falta de amor e de respeito ao risoto ou frango com batata alheio!

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