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Infância Livre de Consumismo

Caio nunca foi uma criança de pedir coisas. Acho que ele nunca fez escândalo querendo comprar algo numa loja. Não liga pra presentes e, quando é pressionado a escolher um produto, ele pede uma camisa branca, por exemplo, o que eu acho muito engraçado e positivo. Quem sofre são as pessoas que querem presentear. Nunca sabem o que dar. 
Ele também não liga pra roupas e calçados. Entre dois pares de tênis, ele escolhe o mais barato. Tem roupa de sair e de ficar em casa. Poucas, mas ele sabe quais são. Ele também não tem muitos sapatos (uma chuteira, tênis preto pra escola, um par “coringão” pra sair e um par de sandálias de sair também). E está satisfeito. 
Ele conhece algumas marcas porque os colegas comentam e porque ele já viu na TV, mas nunca chegou me pedindo nada de marca. E eu confesso: fico feliz da vida por ele ser assim! Acho que pelo fato de não ver tantos comerciais, ele acaba não sendo influenciado. Esses dias perguntei a ele que ovo de Páscoa ele queria. Ele foi direto: qualquer um! E olha que havia um stand de uma marca famosa de chocolate na portaria da escola dele (absurdo, né?).
Por falar em escola, fiquei um pouco apreensiva no início da escola nova, pois, ao invés de uma cantina normal, há uma lanchonete famosa (pelo menos por aqui) lá dentro. Tudo bem que o forte da lanchonete são os sucos maravilhosos, mas eles também têm salgadinhos, batata frita e outros alimentos calóricos. Achei que ele fosse ficar impressionado e querer comprar todo dia. Que nada! Ele leva, na boa, pãozinho feito em casa, bolo de laranja e biscoitos que ele come no dia a dia. Vai tudo na vasilhinha e ele não reclama. Aliás, no lugar do suco (de caixinha), ele quer levar água. Eu deixo. Ele não gosta de refrigerante. Só às sextas-feiras que ele pode comprar na lanchonete. É um acordo nosso já bem antigo.
Eu estou falando isso tudo pra dizer que quando essa negação ao consumismo é natural na família e todos estão empenhados, a criança não sofre. Todo mundo me dizia pra esperar, que quando ele crescesse, começaria a pedir, a querer consumir. Bom, ele cresceu. Está crescendo. Vai fazer nove anos em junho e é o mesmo em relação ao consumo. Ele simplesmente não liga, não pede, não vai na onda. Ele não nasceu consumista. Consumo é hábito que é formado ao longo dos anos.
Na maioria das vezes, quem sente necessidade de consumir somos nós, os adultos. No início do ano, sempre tem aquela lista imensa de material escolar pra comprar. Com o material, vem logo à mente a danada da mochila. Eu, sem pensar muito, já ia comprar sem nem perguntá-lo nada. Ainda bem que perguntei a tempo! “Filho, sua mochila (do ano passado) ainda tá boa?” Ele olhou, analisou e disse que sim na maior normalidade. Ainda completou dizendo que o estojo também dava pra ser reutilizado. Não é muita lindeza? Conclusão: duzentos reais economizados e uma criança aprendendo a reutilizar seus objetos. 
Acho que o nosso trabalho é fazê-los entender que a vida é muito mais que um lanche de um fast food famoso, do que uma chuteira de marca ou uma camisa com o símbolo que é um jacarezinho/crocodilo (sei lá!). Pra isso, a gente tem que ler, se informar e agir. Há também a opção de deixar rolar, não fazer nada e, simplesmente, consumir. É mais fácil, mas é mais caro. No futuro, a gente pode ter que pagar um preço muito alto, que vai além do dinheiro. 
Se quiser saber mais, entre no grupo Infância Livre de Consumismo no Facebook, assista ao documentário Criança, a alma do negócio e procure, leia, investigue, reflita e, principalmente, resista.
  
18 comments
  1. Julay Ferrer

    Será que essa postura do Caio não é um reflexo de vocês 2 também? Acho que fica bem complicado uma criança não ser consumista quando os pais são.

    Morro de medo de ter uma filha consumista e fico horrorizada com o tanto de propagandas que tem no meio dos programas infantis. Penso seriamente em proibir a tv em casa por um tempo, deixar apenas no DVD. Meu medo é: até quando conseguirei controlar isso e deixar mimha filha num mundo paralelo?? Esse assunto rende papo, heim.

    Parabéns pelo filhote exemplar.

    Beijocas

  2. Rose Misceno

    Eu já fui mais consumista, hoje com mais idade e mãe aprendi a pensar mais antes de comprar alguma coisa!
    Luna também não tem grandes quantidades de roupa ou brinquedos. Roupa e sapatos tem o problema de perder com facilidade e não sou daquele tipo "compra maior pra durar mais" perfiro comprar menos e que ela não fique com o visual do tipo "o defunto era maior" rsrsrs…
    Ela já ouve muito "é caro" ou "você já tem" ou "você não precisa" e pra minha sorte ela não pede nada quando saímos por aí! Na verdade não acho que seja só sorte, tem também o mérito da boa educação! Você também não acha isso do Caio?

    Beijão.

  3. Carol Baggio

    Dany
    Concordo com vc, o hábito do consumo quem coloca somos nós – a sociedade como um todo. Os bebês não nascem querendo consumir, mas vão aprendendo (ou não) a exercitar esse consumo voraz…
    Parabéns pelo seu filho e pela simplicidade que vc descreveu. Ele deve ficar um gato de camiseta branca.
    beijos

  4. Um espaço pra chamar de meu

    Criança e consumo é uma coisa que tem que ser controlada pelos pais mesmo,eles não nascem sabendo que tem que comprar,comprar,comprar…
    Aqui o menino é bem mais controlado que a menina,ela pede muuuito mais, costumamos controlar e ensinar que a marca não é tudo e que se uma coisa está boa não precisa ser trocada.
    Legal que teu filho seja assim naturalmente.Aqui com a merenda não tem jeito,suco ou refrigerante,mas levam de casa.
    Bjs!!
    #amigacomenta

  5. Tatiane Garcia

    Amiga, vc tem um príncipe, já te disse! rs…

    Agora falando sobre o assunto sério: Tem mesmo que ensinar a não ser uma criança consumista! Por causa desta onda de consumismo os pais ficam 12 horas por dia fora de casa, trabalhando, numa loucura, sempre atrás de mais dinheiro pra comprar coisas que não precisamos! E a vida em família? E o prazer de ler um livro, de passear no parque (e não no shopping) … jantar juntos, nada disso custa muito…mas deixamos de lado em prol de ganhar mais dinheiro e consumir mais!!!
    Deu pra entender? tô meio lesa hj, não me expressei direito né???
    bjobjo!!!!

  6. LelisPaula

    Hoje em dia o consumismo está tomando conta mesmo, e nós pais, temos que podar isso. É tão válido reaproveitar e aprender a valorizar o que tem. Isso é um ótimo exemplo a ser passado. Parabéns!
    Fico muito feliz que o meu anjo está indo pelo mesmo caminho do seu. Que eles continuem assim.
    Abraços

    #amigacomenta

  7. Tuka Siqueira

    Também acredito que o consumismo é um hábito adquirido e não uma consequencia do crescimento. Aqui temos uma situação financeira difícil, então nada é comprado se não for essencial. As crianças se acostumam assim e cada coisa que ganham fazem uma festa como se fosse ouro em pó.
    Elas fizeram aniversário a poucos dias e só o que falavam era no bolo e nos parabéns. Ganharam dois e ficaram em êxtase. Também compramos camas novas,pois dormiam as tres juntas num sofá cama. As camas vieram num dia e o montador só no outro. Dormiram uma noite nos colchões no chão e acharam que aquilo era as camas novas. Ficaram felizes e contentes.No outro dia quando viram as camas montadas foram à loucura. São simples e se agradam com o mínimo.

    Bjs
    #amigacomenta

  8. Lulu on the sky

    Dani, parabéns pelo filhote. Que fofo. Sabe valorizar cada item. Ah se todas as crianças fossem como ele. O mundo seria diferente, menos egoísta, menos materialista onde o ser vale muito mais do que ter.
    Big Beijos

  9. Bete Strøm

    Que legal!!!
    Eu quero que o Bruno seja assim tambem…
    Mas ja o estou ensinando, entramos na loja de brinquedos ele se diverte e so compro quando posso… ele nem chora…. bjs

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